American Beauty
Pintor da soledade nos vestíbulos
de mármore e losango, onde as colunas
se deploram silentes, sem que as pombas
venham trazer um pouco do seu ruflo;
traça das finas torres consumidas
no vazio mais branco e na insolvência
de arquiteturas não arquitetadas,
porque a plástica é vã, se não comove,
ó criador de mitos que sufocam,
desperdiçando a terra, e já recuam
para a noite, e no charco se constelam,
por teus condutos flui um sangue vago,
e nas tuas pupilas, sob o tédio,
é a vida um suspiro sem paixão.
Carlos Drummond de Andrade
de mármore e losango, onde as colunas
se deploram silentes, sem que as pombas
venham trazer um pouco do seu ruflo;
traça das finas torres consumidas
no vazio mais branco e na insolvência
de arquiteturas não arquitetadas,
porque a plástica é vã, se não comove,
ó criador de mitos que sufocam,
desperdiçando a terra, e já recuam
para a noite, e no charco se constelam,
por teus condutos flui um sangue vago,
e nas tuas pupilas, sob o tédio,
é a vida um suspiro sem paixão.
Carlos Drummond de Andrade
Comentários
Se eu pudesse escolher uma palavra para exemplificar a grande mensagem do filme, escolheria "desencanto". O personagem principal, ao meu ver, anseia por momentos mágicos que não podem mais ser reconstituídos.
Passando à postagem anterior, encontro Ricardo Reis, como "Coroai-me de Rosas".
O que dizer, meu Deus? Magnífico. De todos os heterônimos de Fernando Pessoa, é o meu preferido.
O Hálito, por isso e por tantas outras coisas, é um lugar onde nos sentimos particularmente bem.
Receba, Isabel, o abraço do amigo.
Carlos
Um abraço.