Pintor da soledade nos vestíbulos
de mármore e losango, onde as colunas
se deploram silentes, sem que as pombas
venham trazer um pouco do seu ruflo;
traça das finas torres consumidas
no vazio mais branco e na insolvência
de arquiteturas não arquitetadas,
porque a plástica é vã, se não comove,
ó criador de mitos que sufocam,
desperdiçando a terra, e já recuam
para a noite, e no charco se constelam,
por teus condutos flui um sangue vago,
e nas tuas pupilas, sob o tédio,
é a vida um suspiro sem paixão.
Carlos Drummond de Andrade
de mármore e losango, onde as colunas
se deploram silentes, sem que as pombas
venham trazer um pouco do seu ruflo;
traça das finas torres consumidas
no vazio mais branco e na insolvência
de arquiteturas não arquitetadas,
porque a plástica é vã, se não comove,
ó criador de mitos que sufocam,
desperdiçando a terra, e já recuam
para a noite, e no charco se constelam,
por teus condutos flui um sangue vago,
e nas tuas pupilas, sob o tédio,
é a vida um suspiro sem paixão.
Carlos Drummond de Andrade

Comentários
Eis-me de volta ao Hálito, bastante encantado com as suas últimas postagens.
Como admirador de Edward Hopper, não poderia ficar silente ao encontrar tão belas obras e suas criativas adaptações.
Nighthawks [aves noturnas]muito me emociona. Outra que gostaria de citar é Cape Cod Evening [amanhecer em cape cod]. Tem uma beleza que nos cativa!
No mais, li e reli o belo poema Flor de Sal, do Gil T. Sousa. Que grata surpresa conhecer mais um nobre poeta.
Receba meu abraço.
Carlos
o gil sousa tem um blog com muita poesia, e alguma de sua autoria como a que aqui coloquei. vale a pena passar por lá. quanto ao Edward Hopper, as suas "imagens" carregam uma poesia que me fascina, muito pela sua simplicidade.
Abraço