9 de janeiro de 2008

O jardim do solar

As fontes estão secas e as rosas acabaram.
Incenso da morte. O teu dia aproxima-se.
As pêras engordam como pequenos budas.
Uma névoa azul prolonga o lago.

Moves-te atravês da era dos peixes,
dos presumidos séculos do porco...
A cabeça, os dedos dos pés e das mãos
saem nítidos da sombra. A História

alimenta estas caneluras quebradas,
estas coroas de acantos,
e o corvo vem arranjar as suas vestes.
Tu herdas a urze branca, uma asa de abelha.

Dois suicidas, os lobos da família,
horas de escuridão. Algumas estrelas isoladas
já iluminam os céus.
A aranha na sua própria teia

atravessa o lago. Os vermes
abandonam as suas casas habituais.
As pequenas aves convergem, convergem
com as suas dádivas para um difícil nascimento.




Sylvia Plath
traduzida por Maria de Lourdes Guimarães

2 comentários:

livia soares disse...

Querida,
muito obrigada por esta linda postagem. Eu amo a poesia de Sylvia Plath. É para mim uma fonte permanente de descobertas.
Um abraço.

Ch disse...

Caríssima Isabel;
.
Retorno ao Almofariz após ligeiro recesso, no qual pude sorver um pouco de isolamento e descanso, alimentos essenciais ao cultivo da inspiração.
.
Volto agora e, como não poderia deixar de ser, maravilhado com o belo poema de Sylvia Plath, o qual leio e releio com a máxima reverência, como quem recebe um valioso ensinamento.
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A você endereço meus melhores votos. É bom revê-la!
Um forte abraço do amigo.
Carlos