Madredeus
Pintor da soledade nos vestíbulos
de mármore e losango, onde as colunas
se deploram silentes, sem que as pombas
venham trazer um pouco do seu ruflo;
traça das finas torres consumidas
no vazio mais branco e na insolvência
de arquiteturas não arquitetadas,
porque a plástica é vã, se não comove,
ó criador de mitos que sufocam,
desperdiçando a terra, e já recuam
para a noite, e no charco se constelam,
por teus condutos flui um sangue vago,
e nas tuas pupilas, sob o tédio,
é a vida um suspiro sem paixão.
Carlos Drummond de Andrade
de mármore e losango, onde as colunas
se deploram silentes, sem que as pombas
venham trazer um pouco do seu ruflo;
traça das finas torres consumidas
no vazio mais branco e na insolvência
de arquiteturas não arquitetadas,
porque a plástica é vã, se não comove,
ó criador de mitos que sufocam,
desperdiçando a terra, e já recuam
para a noite, e no charco se constelam,
por teus condutos flui um sangue vago,
e nas tuas pupilas, sob o tédio,
é a vida um suspiro sem paixão.
Carlos Drummond de Andrade
Comentários
As vozes e os arranjos são notáveis.
Esta música, então, parece calhar como uma luva à belíssima poesia trazida por Ricardo Reis, e que aqui você nos oferta a todos, como exemplo ímpar da Poesia Portuguesa, que, ao meu ver, fez-se grande e encantadora.
São versos de requinte, raros mesmo.
Abraços, Isabel.
Carlos
Também sou fâ do Madredeus e da poesia portuguesa; a ambos eu pretendo conhecer (para poder desfrutar) cada vez mais, sem prejuízo das coisas novas que certamente hei de descobrir... por isso gosto muito de vir aqui.
Um abraço.