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Dyes



Manuel Librodo

Comentários

Ch disse…
Caríssima Isabel;
As suas postagens continuam encantando. Estão cada vez melhores.
Principalmente as que são envolvidas por um silêncio solene [as sem texto], onde cabe a nós decifrá-las e viajar com a imaginação.
Esta das caixinhas coloridas me traz um cheiro do Oriente, de especiarias, de coisas místicas. Também me faz pensar naqueles pátios onde se acumulam tanques para tingimento de tecidos [novamente uma presença oriental de rara beleza].
Aprecio este seu cuidado com cada detalhe, cada cor, cada palavra. A tradução de Albano ficou divina. E o seu resgate da obra de Winslow Homer é mais do que bem vindo.
Bravo, Isabel! Bravo!
Abraços do
Carlos

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A tela contemplada

Pintor da soledade nos vestíbulos
de mármore e losango, onde as colunas
se deploram silentes, sem que as pombas
venham trazer um pouco do seu ruflo;

traça das finas torres consumidas
no vazio mais branco e na insolvência
de arquiteturas não arquitetadas,
porque a plástica é vã, se não comove,

ó criador de mitos que sufocam,
desperdiçando a terra, e já recuam
para a noite, e no charco se constelam,

por teus condutos flui um sangue vago,
e nas tuas pupilas, sob o tédio,
é a vida um suspiro sem paixão.


Carlos Drummond de Andrade

Pernoitas em Mim

pernoitas em mim
e se por acaso te toco a memória... amas
ou finges morrer

pressinto o aroma luminoso dos fogos
escuto o rumor da terra molhada
a fala queimada das estrelas

é noite ainda
o corpo ausente instala-se vagarosamente
envelheço com a nómada solidão das aves

já não possuo a brancura oculta das palavras
e nenhum lume irrompe para beberes

Al Berto