Avançar para o conteúdo principal

As pequenas descobertas

sabias que esta noite eu desejei
que a vida, seguindo um simples capricho,
passasse a desvendar todos os atalhos,
e nos conseguisse encontrar?

para trazer à minha volta,
o teu sorriso de pólen e a falsa
excitação do abismo sob os pés.

que todos os cabelos ao luar revoltos,
se transformassem em borlas de algas tenras,
passamanaria entre nossos dedos.

foi quando ouvi o choro dos ciprestes,
e abrindo os olhos,
eras novelo perto do meu rosto,
espelho opaco mas sensível

às minhas mãos em cunha,
buscando nos teus ângulos,
a presença do sopro que me anima:
a tua luminosa quietude.



Carlos Henrique Leiros
do Almofariz

Comentários

Ch disse…
Caríssima Isabel;
.
Você não imagina a minha surpresa ao aqui chegar agora, encontrando postagem com poema meu. E neste espaço, onde poetas imortais desfilam...estar aqui entre eles, por sua generosidade, muito me honra e me alegra.
Gostaria de ter palavras para expressar-lhe a sensação de me ler e de ser lido com tantas obras-primas ao redor. Mas elas me fogem.
Fica o meu sincero agradecimento.
Abraço do
Carlos

Mensagens populares deste blogue

A tela contemplada

Pintor da soledade nos vestíbulos
de mármore e losango, onde as colunas
se deploram silentes, sem que as pombas
venham trazer um pouco do seu ruflo;

traça das finas torres consumidas
no vazio mais branco e na insolvência
de arquiteturas não arquitetadas,
porque a plástica é vã, se não comove,

ó criador de mitos que sufocam,
desperdiçando a terra, e já recuam
para a noite, e no charco se constelam,

por teus condutos flui um sangue vago,
e nas tuas pupilas, sob o tédio,
é a vida um suspiro sem paixão.


Carlos Drummond de Andrade

Pernoitas em Mim

pernoitas em mim
e se por acaso te toco a memória... amas
ou finges morrer

pressinto o aroma luminoso dos fogos
escuto o rumor da terra molhada
a fala queimada das estrelas

é noite ainda
o corpo ausente instala-se vagarosamente
envelheço com a nómada solidão das aves

já não possuo a brancura oculta das palavras
e nenhum lume irrompe para beberes

Al Berto