Pintor da soledade nos vestíbulos
de mármore e losango, onde as colunas
se deploram silentes, sem que as pombas
venham trazer um pouco do seu ruflo;
traça das finas torres consumidas
no vazio mais branco e na insolvência
de arquiteturas não arquitetadas,
porque a plástica é vã, se não comove,
ó criador de mitos que sufocam,
desperdiçando a terra, e já recuam
para a noite, e no charco se constelam,
por teus condutos flui um sangue vago,
e nas tuas pupilas, sob o tédio,
é a vida um suspiro sem paixão.
Carlos Drummond de Andrade
de mármore e losango, onde as colunas
se deploram silentes, sem que as pombas
venham trazer um pouco do seu ruflo;
traça das finas torres consumidas
no vazio mais branco e na insolvência
de arquiteturas não arquitetadas,
porque a plástica é vã, se não comove,
ó criador de mitos que sufocam,
desperdiçando a terra, e já recuam
para a noite, e no charco se constelam,
por teus condutos flui um sangue vago,
e nas tuas pupilas, sob o tédio,
é a vida um suspiro sem paixão.
Carlos Drummond de Andrade
Comentários
Wis-me de volta ao Hálito para mais uma visita.
Quero dizer-lhe que achei soberbo o poema Paraíso, do David Mourão- Ferreira. Versos de uma rara beleza. E eu não o conhecia...
Por fim, o que dizer das imagens? Continuam belas como sempre, a denotar - além dos méritos dos seus autores - o seu bom gosto em escolhê-las e reuní-las aqui, para deleite dos seus visitantes.
Sou-lhe grato.
Abraços do
Carlos