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It's Oh so quiet

Bjork

Comentários

Ch disse…
Caríssima Ana;
Wis-me de volta ao Hálito para mais uma visita.
Quero dizer-lhe que achei soberbo o poema Paraíso, do David Mourão- Ferreira. Versos de uma rara beleza. E eu não o conhecia...
Por fim, o que dizer das imagens? Continuam belas como sempre, a denotar - além dos méritos dos seus autores - o seu bom gosto em escolhê-las e reuní-las aqui, para deleite dos seus visitantes.
Sou-lhe grato.
Abraços do
Carlos

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A tela contemplada

Pintor da soledade nos vestíbulos
de mármore e losango, onde as colunas
se deploram silentes, sem que as pombas
venham trazer um pouco do seu ruflo;

traça das finas torres consumidas
no vazio mais branco e na insolvência
de arquiteturas não arquitetadas,
porque a plástica é vã, se não comove,

ó criador de mitos que sufocam,
desperdiçando a terra, e já recuam
para a noite, e no charco se constelam,

por teus condutos flui um sangue vago,
e nas tuas pupilas, sob o tédio,
é a vida um suspiro sem paixão.


Carlos Drummond de Andrade

Pernoitas em Mim

pernoitas em mim
e se por acaso te toco a memória... amas
ou finges morrer

pressinto o aroma luminoso dos fogos
escuto o rumor da terra molhada
a fala queimada das estrelas

é noite ainda
o corpo ausente instala-se vagarosamente
envelheço com a nómada solidão das aves

já não possuo a brancura oculta das palavras
e nenhum lume irrompe para beberes

Al Berto