28 de outubro de 2007

Guarda-me o dia em sua luz a graça

Guarda-me o dia em sua luz a graça
da hora final em ouro que debrua
a nuvem no abandono que extenua
a lembrança em recato enquanto passa

ao banho de águas claras e flutua
o espírito no tanque aonde a baça
marca de amigos passos vai na traça
da recta infinitude e desvirtua

esta os sentidos Pronto o lugar sei
o pé detém-se a erva fique intacta
e que o chão é incólume verei

do sol a declinar que ali desata
incêndios no horizonte: então fenece
o dia e meu refúgio me aparece.




Walter Benjamin
tradução de Vasco Graça Moura

1 comentário:

Mateso disse...

Que sauvidade, como se o dia se escoa-se assim de leno e dourado...

Bj.