Avançar para o conteúdo principal

Aqui nesta praia | 36



Les Deux Baigneuses
William-Adolphe Bouguereau

Comentários

Ch disse…
Caríssima Ana;
Volto ao Hálito para exercitar o olhar com coisas belas, as imagens, as reproduções artísticas e, principalmente, os poemas escolhidos com tanto esmero.
Lindíssimos os da lavra do Joaquim Pessoa. Fiquei tocado!
Sem palavras para explicar a emoção de rever Bouguereau [lembrou-me um trabalho dele de nome O Ninfário [nimpharium] (?)]. Perdoe-me a tradução. Talvez a palavra nem exista, se nos distanciarmos da sua literalidade, mas é a que encontro de maior coerência.
É ótimo voltar aqui.
Abraços do
Carlos

Mensagens populares deste blogue

A tela contemplada

Pintor da soledade nos vestíbulos
de mármore e losango, onde as colunas
se deploram silentes, sem que as pombas
venham trazer um pouco do seu ruflo;

traça das finas torres consumidas
no vazio mais branco e na insolvência
de arquiteturas não arquitetadas,
porque a plástica é vã, se não comove,

ó criador de mitos que sufocam,
desperdiçando a terra, e já recuam
para a noite, e no charco se constelam,

por teus condutos flui um sangue vago,
e nas tuas pupilas, sob o tédio,
é a vida um suspiro sem paixão.


Carlos Drummond de Andrade

Pernoitas em Mim

pernoitas em mim
e se por acaso te toco a memória... amas
ou finges morrer

pressinto o aroma luminoso dos fogos
escuto o rumor da terra molhada
a fala queimada das estrelas

é noite ainda
o corpo ausente instala-se vagarosamente
envelheço com a nómada solidão das aves

já não possuo a brancura oculta das palavras
e nenhum lume irrompe para beberes

Al Berto