Pintor da soledade nos vestíbulos
de mármore e losango, onde as colunas
se deploram silentes, sem que as pombas
venham trazer um pouco do seu ruflo;
traça das finas torres consumidas
no vazio mais branco e na insolvência
de arquiteturas não arquitetadas,
porque a plástica é vã, se não comove,
ó criador de mitos que sufocam,
desperdiçando a terra, e já recuam
para a noite, e no charco se constelam,
por teus condutos flui um sangue vago,
e nas tuas pupilas, sob o tédio,
é a vida um suspiro sem paixão.
Carlos Drummond de Andrade
de mármore e losango, onde as colunas
se deploram silentes, sem que as pombas
venham trazer um pouco do seu ruflo;
traça das finas torres consumidas
no vazio mais branco e na insolvência
de arquiteturas não arquitetadas,
porque a plástica é vã, se não comove,
ó criador de mitos que sufocam,
desperdiçando a terra, e já recuam
para a noite, e no charco se constelam,
por teus condutos flui um sangue vago,
e nas tuas pupilas, sob o tédio,
é a vida um suspiro sem paixão.
Carlos Drummond de Andrade

Comentários
Volto ao Hálito para exercitar o olhar com coisas belas, as imagens, as reproduções artísticas e, principalmente, os poemas escolhidos com tanto esmero.
Lindíssimos os da lavra do Joaquim Pessoa. Fiquei tocado!
Sem palavras para explicar a emoção de rever Bouguereau [lembrou-me um trabalho dele de nome O Ninfário [nimpharium] (?)]. Perdoe-me a tradução. Talvez a palavra nem exista, se nos distanciarmos da sua literalidade, mas é a que encontro de maior coerência.
É ótimo voltar aqui.
Abraços do
Carlos