Pintor da soledade nos vestíbulos
de mármore e losango, onde as colunas
se deploram silentes, sem que as pombas
venham trazer um pouco do seu ruflo;
traça das finas torres consumidas
no vazio mais branco e na insolvência
de arquiteturas não arquitetadas,
porque a plástica é vã, se não comove,
ó criador de mitos que sufocam,
desperdiçando a terra, e já recuam
para a noite, e no charco se constelam,
por teus condutos flui um sangue vago,
e nas tuas pupilas, sob o tédio,
é a vida um suspiro sem paixão.
Carlos Drummond de Andrade
de mármore e losango, onde as colunas
se deploram silentes, sem que as pombas
venham trazer um pouco do seu ruflo;
traça das finas torres consumidas
no vazio mais branco e na insolvência
de arquiteturas não arquitetadas,
porque a plástica é vã, se não comove,
ó criador de mitos que sufocam,
desperdiçando a terra, e já recuam
para a noite, e no charco se constelam,
por teus condutos flui um sangue vago,
e nas tuas pupilas, sob o tédio,
é a vida um suspiro sem paixão.
Carlos Drummond de Andrade

Comentários
Acredito válidos os cumprimentos que lhe endereço - ainda que um pouco tardios - pela passagem de um ano de vida neste espaço.
Imagino quantos bons momentos deve ter vivenciado aqui. Auguro-lhe muitos ainda por vir :]
A propósito...lindíssimo o poema de Rui Knopfli.
Abraços do
Carlos
Grata pelas suas palavras, muito amáveis, sempre.
Espero continuar a contar com a sua companhia.
Abraço