6 de agosto de 2010

Canção para Leonard Cohen

enquanto nos faltarem fotografias
o futuro estará à deriva.
pero si. yes. la ciudad. a cidade.
a cidade que assinala a urgência no meu
vestido comprido e justo, saída do banco
com o dinheiro negro. the money.
money likes rain. chove.
é insuficiente dizer que chove.
é como dizer dinheiro. ou love. (love não
quer dizer amor). d'accord, got it, há
máximos e mínimos.
concepções copernicianas do espaço.
leonards cohens que espiam atrás de
canções bifurcadas. gerações diferentes.
a realidade não dá conta do recado
because it depends on, you know, pois
depende do expressável. representável.
não basta dizer «tudo tem uma duração».
é preciso dizer «tudo é uma duração».
pero si, chica. la ciudad! a cidade. sim.
mas cala-te um pouco. a cidade
onde agora faz sol. sabe: o sol só é
auto-expressável porque é cópia de si mesmo.
todos os dias copia a fórmula recém-passada
de aplanar nos rostos que vão
demolindo a arte de acordar. wake. up.
e nada resulta para mim.
e nem a metáfora é analgésico.
talvez seja a frequência do subterrâneo
desta cidade de vídeo e respeito
onde cada medo seu espreita atrás de um outro
e um tédio urbano
me surrealiza o dom dos olhos.


Sylvia Beirute
do blog Uma Casa em Beirute

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