23 de junho de 2008

Acordo com o medo do frio que a tua mão me leva ao respirar

Acordo com o medo do frio que a tua mão me leva ao respirar.

No meu ventre aberto as tuas asas batem furiosas e o meu peito pára.
Cruzo as mãos sobre as águas salgadas onde os bicos dos pássaros mergulham,
agudos e ácidos, levando-me nas dores que já não são minhas.
Sopram-me rasgadamente pelo ar cinza irrespirável,
e não há tréguas, nem perdão.
Existe sim um fim súbito, recusado e prolongado,
e a alma escurecida e culpada, sobrevive.


alma

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