Pintor da soledade nos vestíbulos
de mármore e losango, onde as colunas
se deploram silentes, sem que as pombas
venham trazer um pouco do seu ruflo;
traça das finas torres consumidas
no vazio mais branco e na insolvência
de arquiteturas não arquitetadas,
porque a plástica é vã, se não comove,
ó criador de mitos que sufocam,
desperdiçando a terra, e já recuam
para a noite, e no charco se constelam,
por teus condutos flui um sangue vago,
e nas tuas pupilas, sob o tédio,
é a vida um suspiro sem paixão.
Carlos Drummond de Andrade
de mármore e losango, onde as colunas
se deploram silentes, sem que as pombas
venham trazer um pouco do seu ruflo;
traça das finas torres consumidas
no vazio mais branco e na insolvência
de arquiteturas não arquitetadas,
porque a plástica é vã, se não comove,
ó criador de mitos que sufocam,
desperdiçando a terra, e já recuam
para a noite, e no charco se constelam,
por teus condutos flui um sangue vago,
e nas tuas pupilas, sob o tédio,
é a vida um suspiro sem paixão.
Carlos Drummond de Andrade

Comentários
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Creio ter chegado um pouco tarde, pois você já se encontra de viagem ao campo. Contudo, o recesso é mais do que merecido.
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Estive um pouco ausente, suportando uma tremenda carga de trabalho e atribuições próprias da época. Eis, portanto, a razão do silêncio. Mas em todo esse tempo, alimentei saudades daqui, pode acreditar.
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Passei uma vista d'olhos por tudo. E tudo continua belo, dos antigos postais às imagens e os poemas. Li Vinicius com prazer, e me encantei com os versos de David Mourão-Ferreira. Que bela descoberta, minha cara. Não o conhecia ainda.
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Por fim, receba os meus sinceros votos de um Natal feliz e de um Ano Novo realmente farto de coisas boas. Sei que tanto o Hálito quanto o Vôo continuarão lindos em 2008.
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Um abraço de amizade do
Carlos