19 de junho de 2007

O ar fendido pela borboleta

O ar fendido pela borboleta
quimérica e nocturna e de cor azul.

O pólen do voo no rumor
das achas da lareira amortecida.
Os teus olhos vêm para os meus
com a água da paz de termos visto
o mesmo arco de vida atravessar
o lugar onde estávamos sózinhos

onde vogava no céu tarde
o silêncio do conspirador.

No chão de brisa de poeira
o tumulto do mundo é um luar
sombrio e essa dor serena
leva de nós todas as dores.


Joaquim Manuel Magalhães

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