13 de junho de 2007

Linha de fogo quando olhamos a direito

Linha de fogo quando olhamos a direito,
não posso reparar ao mesmo tempo nos
teus olhos e no que os teus olhos vêem.
Apenas pressinto as árvores e o avanço
calmo de três barcos entrando agora.
Agora, espiral medonha que me arrefece
os braços e inventa luz mais clara, mar
em vez deste tejo. Fiz tanta promessa,
quero partir para onde não pareça que
não cumpro.
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Se não limpas as paredes, se não apanhas
a conversa mais calculada, as folhas
que se enrolam no chão. Rio-me do sofrimento.
E levo coisas esquecidas até à vedação
de arame, a uma linha da cor do fogo, aí
deixo cair palavras. Não dou por que passe
o tempo.


Helder Moura Pereira

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