18 de abril de 2007

Coisa de palavras

Coisa de palavras, sentados na relva do lago,
conversando por causa de um livro, pequenas
graças, alguma coisa termina. Os nomes das ruas
ficam sem a tinta do inverno, ponho a cabeça
fora da janela, talvez te veja, sacola ao
ombro, linhas sublinhadas, voam pedaços de
jornais. Posso dizer que passo os dias a abrir
e fechar janelas, nas esperas de nada haver
a esperar, ou talvez o corpo que quisera
acertado para o amor. Quem vem e quem não vem
é tudo o mesmo, há mais musgo nos telhados,
há menos noite, o sinal das horas desperta
este estreito corredor onde canso as mãos,
onde viajo até nova iorque, tudo é a casa,
uma orquestra de câmara, um reduzido museu,
uma feira de velharias, os jogos de ter sete
anos, e num outro poema volto a encontrar-te.
Vai sendo grave a paciência com que te
descubro estes meses passados, nunca fugirás,
respiro mal pelas cinco da manhã, se o corpo
cresce há que tapá-lo de iodo e pele nova.


Helder Moura Pinheiro

Sem comentários: