15 de fevereiro de 2007

Voz

Olhamos à volta e não sabemos bem do que se trata. As mãos
estão imóveis há algum tempo. É dentro delas que cabe
tudo o que é nosso. O rumor que chega com o vento torna-se maior
ao repararmos agora nas folhas. Alguém principiou a chamar-nos
e é devagar que repete o mesmo nome, como se houvesse nos olhos
qualquer sombra porque assim é tudo o que se ignora. Ao longe
só ele pôde ver como estão os caminhos separados e as ondas
se dirigem ao encontro de outras praias. Ficou ali suspensa
uma luz desconhecida, agora recortada pela neblina que veio
com a manhã: quem se encontra sozinho talvez conheça melhor
o seu segredo. De novo se fecharam as nossas mãos. Há
uma árvore que desperta com a sua forma pesada e simples.

Fernando Guimarães

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