21 de novembro de 2006

Nos olhos de Isa

Nos olhos de Isa a chuva grita e a noite
Acende fogueiras.

Os meus olhos param. Nos olhos de Isa.

Oh, nos olhos de Isa espreguiça-se a madrugada
E o vento acorda para ajudar os pássaros a voar
E as árvores a acenar-lhes uma bandeira de folhas, uma tristeza verde.

Nos olhos de Isa.

Nos olhos de Isa a manhã explode num inferno de estrelas,
Num clarão de silêncio, em estilhaços de rosas, pétalas de sombra.

Nos olhos de Isa os poetas vagueiam num bosque de mel
Onde as abelhas constroem a tarde
Desesperadamente.
Nos olhos de Isa ninguém repara na minha solidão.

Joaquim Pessoa

2 comentários:

Pedro disse...

Muito bonito este poema...Será que Isa é uma mulher ou Deus omnipresente ?

Ana Isabel disse...

A sua pergunta levou-me a reler o poema algumas vezes. Foi para mim sempre claro tratar-se de uma mulher. Uma mulher amada mas talvez distante do sujeito que a ama.
Continuo a pensar que assim é...ou não será?