17 de outubro de 2006

Eis-me, marinheiro sábio, no exílio da terra

Eis-me, marinheiro sábio, no exílio da terra,
corpo alongado sobre uma colcha de seda
como se estivesse esquecido e perdido do tempo
sobre a erva humedecida pelo orvalho,
na claridade baça do amanhecer de Kobe.
Aqui deixei de saber o que é a pressa,
o que é o tempo perseguido na voragem dos dias,
o que é o sonho evaporado no temor das viagens.
Ancorei neste espanto inominável, neste areal
de assombros em que se perde a lembrança e a face
e em que nos tornamos outros na memória de nós.

Wenceslau de Moraes

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