PRIMEIRA VOZ: Não há milagre mais cruel que este. Sou arrastada por cavalos, por cascos de ferro. Resisto. Resisto o mais que posso. Concluo a obra. Um túnel negro, através do qual se percipitam as aparições, As aparições, as evidências, os rostos desfigurados. Sou o centro de uma atrocidade. Que dores, que penas estarei eu a dar à luz? Será esta inocência capaz de matar e matar repetidamente? Suga-me a vida As árvores secam na rua. A chuva é corrosiva. Experimento-a na minha língua, e todos os outros horrores praticáveis, Os horrores que esperam e espreitam, as madrinhas desdenhosas Com os corações a fazerem tic tic, e os seus saquinhos de instrumentos. Eu hei-de ser uma parede e um tecto protector. Hei-de ser um céu e uma montanha de bondade: Mas agora deixem-me! Sinto uma força a crescer dentro de mim, uma imensa tenacidade. Rasgo-me ao meio, como o mundo. E há esta escuridão, Toda esta profunda escuridão. Cruzo as mãos sobre uma montanha. O ar está espesso. Está espesso com o labor...