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Três Mulheres, poema a três vozes (VI)

PRIMEIRA VOZ:
Por quanto mais tempo poderei ser um muro contra o vento?
Por quanto mais tempo
Poderei suavemente obscurecer o sol com a palma da minha mão?
Interceptar as setas azuis da lua fria?
As vozes da solidão, as vozes da amargura
Agarram-se às minhas costas infatigavelmente.
Como poderá acalmá-las esta canção de embalar?

Por quanto mais tempo poderei ser um muro em redor da minha terra verde
Por quanto mais tempo poderão as minhas mãos
Proteger esta ferida, e as minhas palavras
Pássaros luminosos no céu, consolando, consolando?
É tremendo
Ser exposta: como se o meu coração
Pusesse uma máscara e penetrasse no mundo.


Sylvia Plath
traduzida por Ana Gabriela Macedo

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