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A mostrar mensagens com a etiqueta Luiza Neto Jorge

O poema ensina a cair

O poema ensina a cair sobre os vários solos desde perder o chão repentino sob os pés como se perde os sentidos numa queda de amor, ao encontro do cabo onde a terra abate e a fecunda ausência excede até à queda vinda da lenta volúpia de cair, quando a face atinge o solo numa curva delgada subtil uma vénia a ninguém de especial ou especialmente a nós uma homenagem póstuma. Luiza Neto Jorge

O poema ensina a cair

O poema ensina a cair sobre vários solos desde perder o chão repentino sob os pés como se perde os sentidos numa queda de amor,ao encontro do cabo onde a terra abate e a fecunda ausência excede até à queda vinda da lenta volúpia de cair, quando a face atinge o solo numa curva delgada subtil uma vénia a ninguém de especial ou especialmente a nós uma homenagem póstuma. Luiza Neto Jorge

A Magnólia

A exaltação do mínimo, e o magnífico relâmpago do acontecimento mestre restituem-me a forma o meu esplendor Um diminuto berço me recolhe onde a palavra se elide na matéria - na metáfora - necessária, e leve, a cada um onde se ecoa e resvala. A magnólia, o som que se desenvolve nela quando pronunciada, é um exaltado aroma perdido na tempestade, um mínimo ente magnífico desfolhando relâmpagos sobre mim. Luiza Neto Jorge

A Casa do Mundo

Aquilo que às vezes parece um sinal no rosto é a casa do mundo é um armário poderoso com tecidos sanguíneos guardados e a sua tribo de portas sensíveis. Cheira a teias eróticas. Arca delirante arca sobre o cheiro a mar de amar. Mar fresco. Muros romanos. Toda a música. O corredor lembra uma corda suspensa entre os Pirinéus, as janelas entre faces gregas. Janelas que cheiram ao ar de fora à núpcia do ar com a casa ardente. Luzindo cheguei à porta. Interrompo os objetos de família, atiro-lhes a porta. Acendo os interruptores, acendo a interrupção, as novas paisagens têm cabeça, a luz é uma pintura clara, mais claramente lembro: uma porta, um armário, aquela casa. Um espelho verde de face oval é que parece uma lata de conservas dilatada com um tubarão a revirar-se no estômago no fígado, nos rins, nos tecidos sangúíneos. É a casa do mundo: desaparece em seguida. Luiza Neto Jorge