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A mostrar mensagens com a etiqueta Pedro Tamen

A minha morte não ta dou

A minha morte, não ta dou.  De resto, tiveste tudo  - a flor, a sesta, o lusco-fusco,  a inquietação do dia 8,  as órbitas das mães, das mãos,  das curiosas palavras de não dizer nadinha.  Tudo tiveste: estás contente?  Feliz assim por teres tudo o que sou?  Feliz por perderes tudo o que sei?  Só não te dou o que não serei.  Não, a minha morte, não ta dou.  Pedro Tamen

Verdes anos

Era o amor que chegava e partia: estarmos os dois era um calor que arrefecia sem antes nem depois… Era um segredo sem ninguém para ouvir: eram enganos e era um medo, a morte a rir nos nossos verdes anos... Teus olhos não eram paz, não eram consolação. O amor que o tempo traz o tempo o leva na mão. Foi o tempo que secou a flor que ainda não era. Como o Outono chegou no lugar da Primavera! No nosso sangue corria um vento de sermos sós. Nascia a noite e era dia, e o dia acabava em nós… O que em nós mal começava não teve nome de vida: era um beijo que se dava numa boca já perdida. Pedro Tamen

Não sei, Amor, se te consinto

Não sei, amor, sequer, se te consinto ou se te inventas, brilhas, adormeces nas palavras sem carne em que te minto a verdade intemida em que me esqueces. Não sei, amor, se as lavas do vulcão nos lavam, veras, ou se trocam tintas dos olhos ao cabelo ou coração de tudo e de ti mesma. Não que sintas outra coisa de mais que nos feneça; mas só não sei, amor, se tu não sabes que sei de certo a malha que nos teça, o vento que nos leves ou nos traves, a mão que te nos dê ou te nos peça, o princípio de sol que nos acabes. Pedro Tamen