Preciso amar-te por isso digo fica esta noite, depois os dias do nosso trabalho farão luz sobre o tempo. Tenho na cabeça a tempestade, tantas vezes recordo aquele corpo que não sabia do prazer que me dava, tantas vezes acordo e o seu nome quase me escapa dos lábios, reconheço as feridas, os golpes todos, se lembro é porque quero esquecer. Fica esta noite, mais outra, o tempo que demora a cumprir a decisão de amar-te. E vamos fazendo o curso dos dias com algumas opiniões parecidas e ódios ás coisas culpadas. A gente que diz coisas de silêncio, os andaimes da cidade tapando saídas, as horas certas quando dizemos adeus. E que sentido têm estas lágrimas? Eu vivo neste ano e já me esqueço de mim, apenas vou precisar amar-te, depressa. .................................................... Venho de distribuir tarefas e de ouvir ferro contra ferro, o cheiro a tinta, barcos em areia artificial, útil mentira que me conto. Regresso à cidade de onde nunca soube partir, pelo caminho passam aos olhos...
"(...) Caminho pelos lugares queridos, sem tristeza, nem mágoa, altas, condoídas árvores, lagos serenos escorrendo de meus olhos, hálito azul da tarde que, por cair, de sombras vai tranquilizando o horizonte. Só, meu coração, bate contra a pedra e o silêncio." Rui Knopfli.