No túnel encurvado ali íamos nós. à frente, ágil, de casaco de viagem, tu, e eu, a apanhar-te como um deus veloz antes que te mudasses em bambu ou nalguma nova flor branca e vermelha, e as abas a adejarem com força, eis que se espalha botão após botão num rasto que assim role entre o metropolitano e o Albert Hall. Lua de mel, andar na lua, tarde para os Promenade, os nossos ecos morrem nesse corredor e agora hei-de ir como Hansel ia pelas pedrinhas batidas pela lua refazendo o caminho, apanhando os botões da rua para acabar nas correntes de ar e na luz frouxa da estação, partindo os combóios, na via húmida que jaz a nu e tensa como eu, todo atenção aos teus passos e a perder-me se olho para trás. Seamus Heaney tradução de Vasco Graça Moura
"(...) Caminho pelos lugares queridos, sem tristeza, nem mágoa, altas, condoídas árvores, lagos serenos escorrendo de meus olhos, hálito azul da tarde que, por cair, de sombras vai tranquilizando o horizonte. Só, meu coração, bate contra a pedra e o silêncio." Rui Knopfli.