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O Metropolitano

No túnel encurvado ali íamos nós. à frente, ágil, de casaco de viagem, tu, e eu, a apanhar-te como um deus veloz antes que te mudasses em bambu ou nalguma nova flor branca e vermelha, e as abas a adejarem com força, eis que se espalha botão após botão num rasto que assim role entre o metropolitano e o Albert Hall. Lua de mel, andar na lua, tarde para os Promenade, os nossos ecos morrem nesse corredor e agora hei-de ir como Hansel ia pelas pedrinhas batidas pela lua refazendo o caminho, apanhando os botões da rua para acabar nas correntes de ar e na luz frouxa da estação, partindo os combóios, na via húmida que jaz a nu e tensa como eu, todo atenção aos teus passos e a perder-me se olho para trás. Seamus Heaney tradução de Vasco Graça Moura

Acto de união | 2

Ainda imperialmente macho nesta altura eis-me a deixar-te com o sofrimento: na colónia o processo de ruptura, o ariete, o romper do dique por dentro. O acto gerou uma quinta coluna obstinada crescendo unilateral, de coração tambor de guerra que reuna as forças sob o teu. Seus punhos, afinal, pequenos, néscios, parasitas, já te batem nas fronteiras e sei-os retesados através da água contra mim. Nenhum tratado dá, prevejo, inteira cura ao teu corpo marcado e assim lasso de estrias, dor grande que te fez em carne viva, como chão aberto, uma outra vez. Seamus Heaney traduzido por Vasco Graça Moura

Acto de união | I

Esta noite, um primeiro movimento, uma pulsão, como se a chuva no pântano jorrasse uma cabeça: um rebentar do lodo ou um rasgão que abre a cama dos fetos e a atravessa. O teu dorso é uma linha firme da costa a nascente e além das graduais colinas são lançados braços e pernas. Acaricio a entumescente província onde cresceu o nosso passado. Sou o alto reino sobre o teu ombro quedo e em ti nada o adula ou o ignora. Conquistar é mentira. Envelheço e concedo teu litoral semi-independente e agora dentro dos seus limites meu legado fica inexoravelmente culminado. Seamus Heaney traduzido por Vasco Graça Moura