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A morte o amor a vida

Julguei que podia quebrar a profundeza a imensidade Com o meu desgosto nu sem contacto sem eco Estendi-me na minha prisão de portas virgens Como um morto razoável que soube morrer Um morto cercado apenas pelo seu nada Estendi-me sobre as vagas absurdas Do veneno absorvido pelo amor da cinza A solidão pareceu-me mais viva que o sangue Queria desunir a vida Queria partilhar a morte com a morte Entregar meu coração ao vazio e o vazio à vida Apagar tudo que nada houvesse nem o vidro nem o orvalho Nada nem à frente nem atrás nada inteiro Havia eliminado o gelo das mãos postas Havia eliminado a invernal ossatura Do voto de viver que se anula Tu vieste o fogo então reanimou-se A sombra cedeu o frio de baixo iluminou-se de estrelas E a terra cobriu-se Da tua carne clara e eu senti-me leve Vieste a solidão fora vencida Eu tinha um guia na terra Sabia conduzir-me sabia-me desmedido Avançava ganhava espaço e tempo Caminhava para ti dirigia-me incessantemente para a luz A vida tinha um corpo a esp...

A perder de vista

NO SENTIDO DO MEU CORPO Todas as árvores com todos os ramos com todas as folhas A erva na base dos rochedos e as casas amontoadas Ao longe o mar que os teus olhos banham Estas imagens de um dia e outro dia Os vícios as virtudes tão imperfeitos A transparência dos transeuntes nas ruas do acaso E as mulheres exaladas pelas tuas pesquisas obstinadas As tuas ideias fixas no coração de chumbo nos lábios virgens Os vícios as virtudes tão imperfeitos A semelhança dos olhares consentidos com os olhares conquistados A confusão dos corpos das fadigas dos ardores A imitação das palavras das atitudes das ideias Os vícios as virtudes tão imperfeitos O amor é o homem inacabado. Paul Eluard