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Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Joaquim Pessoa

Face a Face

Entendamo-nos: falar de ti e dos teus olhos de garça enevoados seria talvez tão vulgar como enumerar as coisas simples e nisso não há qualquer desafio Existe apenas uma razão íntima, como a de quem não gosta de se repetir ou de estar de costas voltadas para o mar, amando o imprevisto como um sinal de alarme Também, falar de mim, poderia tornar-se perigoso, se me virasse para dentro, habitando a minha memória e não a memória de todos os meus dias: Fariseu único de um Templo de Escadas Rolantes quando vejo mudar a água em sangue e arregaçar as mangas para transformar uma seara em pão não deixando ao diabo esse trabalho de mostrar que a realidade não é o que é mas sempre o outro lado da indiferença E bato as esquinas levando a pederneira com que se acendem os poemas que alimentam as primeiras esperanças atravessando nas passagens de peões com a precaução da caça perseguida e a preocupação de me dar desinventando mágoas, repartindo alegrias como quem escreve um tratado de amizade num país ...

Nos olhos de Isa

Nos olhos de Isa a chuva grita e a noite Acende fogueiras. Os meus olhos param. Nos olhos de Isa. Oh, nos olhos de Isa espreguiça-se a madrugada E o vento acorda para ajudar os pássaros a voar E as árvores a acenar-lhes uma bandeira de folhas, uma tristeza verde. Nos olhos de Isa. Nos olhos de Isa a manhã explode num inferno de estrelas, Num clarão de silêncio, em estilhaços de rosas, pétalas de sombra. Nos olhos de Isa os poetas vagueiam num bosque de mel Onde as abelhas constroem a tarde Desesperadamente. Nos olhos de Isa ninguém repara na minha solidão. Joaquim Pessoa