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A mostrar mensagens com a etiqueta Graça Pires

Para tornar legível a emoção

Agora, que uma luz difusa me fascina retenho a idade em que não ousava fazer do coração um lugar de conflito. Escoa-se, de meus lábios, sem aviso prévio, um excessivo odor a maresia, como se o verão atasse em meu pescoço a sombra das dunas e todos os ventos afugentassem a inevitabilidade da morte. É de musgo, a vertigem onde demoro as mãos, para tornar legível a emoção. Graça Pires Ortografia do olhar

É sempre em julho

Foi em julho, que bandos e bandos de gaivotas, planaram sobre o olhar de tua mãe, para que ao nascer, herdasses a secreta violência das marés. Agora, é sempre em julho que, dos teus olhos, se avista um oceano inteiro, enquanto um navio te cresce, perfeito, sobre os lábios, soletrando íntimas paragens. Graça Pires Ortografia do olhar ...para ti R...

Em noites de verão

Em noites de verão, povoadas de sombras, não ouso confessar a solidão. O tempo altera na voz o destino da luz. Os sons familiares tornam-se sombrios. O luar, humidamente cheio, encobre a raiva, na boca agitada do poema. A imagem invertida da lua, a ferir as mãos e a desmesurar as palavras arrasta-me o pensamento até à perturbação. Graça Pires poema retirado do Insónia e de um livro que não conheço mas com um título genial " Não sabia que a noite podia incendiar-se nos meus olhos" .