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A mostrar mensagens com a etiqueta Carlos Henrique Leiros

england [in a graceful manner]

partiste, em dia que vai longe, e a metade do coração que deixaste comigo, emudeceu, ao se criar um visgo, em cima da fissura antiga. deu-se, afinal, como se repetisse a mística de quem erra, o meu exílio, aquela sonolência eterna e quase indivisível. que é estar sozinho, com o oceano, às vezes longo muro, e outras como abismo. Carlos Henrique Leiros do blog Almofariz

As pequenas descobertas

sabias que esta noite eu desejei que a vida, seguindo um simples capricho, passasse a desvendar todos os atalhos, e nos conseguisse encontrar? para trazer à minha volta, o teu sorriso de pólen e a falsa excitação do abismo sob os pés. que todos os cabelos ao luar revoltos, se transformassem em borlas de algas tenras, passamanaria entre nossos dedos. foi quando ouvi o choro dos ciprestes, e abrindo os olhos, eras novelo perto do meu rosto, espelho opaco mas sensível às minhas mãos em cunha, buscando nos teus ângulos, a presença do sopro que me anima: a tua luminosa quietude. Carlos Henrique Leiros do Almofariz

Notívaga sombra

temo que anotes, no suor velado do teu cálice, que o contar dos dias me apavora. e que eu deixo o rosto, pender sobre o peito sem fôlego, para que essas lágrimas não sejam de ninguém. vou confundi-las com chuva, e me ocultar nas sombras. sobre meu corpo deitar-se-ão véus. de modo a que não mais me reconheças, no meio de tantos assobios, de tantos trapos açoitados, na longa noite que me envencilhou. Carlos Henrique Leiros do blog Almofariz

sinuoso andar

deixo correr meus dedos sobre o ábaco das tuas costelas em sinuoso andar meneios de chalupa que deriva buscando ancoradouros, reentrâncias como um visitante na ancestral Hiperbórea a contemplar suas cúpulas e minaretes. receio repousar perdendo a hora a contagem das borlas inexatas que te dividem os flancos o circular das conchas em sifão se quando envergas arrebatadora conduzes dedos, palmas, unhas feito côdeas a minha mão inteira contra a tua. meu sinuoso andar vagueia então se destribando não mais cidade de luzes eternas a felicidade adormeceu enfim Carlos Henrique Leiros do blog Almofariz