O dia fica para trás, mal consumido e já inútil. Começa a grande luz, todas as portas se abrem diante de um homem adormecido, o tempo é uma árvore que não para de crescer. O tempo, a grande porta entreaberta, o astro que cega. Não é com os olhos que se vê nascer essa gota de luz que será, que foi um dia. Canta abelha, sem pressa, percorre o labirinto iluminado, de festa. Respira e canta. Onde tudo termina abre as asas. És o sol, o aguilhão da aurora, o mar que beija as montanhas, a claridade total, o sonho. Blanca Varela
"(...) Caminho pelos lugares queridos, sem tristeza, nem mágoa, altas, condoídas árvores, lagos serenos escorrendo de meus olhos, hálito azul da tarde que, por cair, de sombras vai tranquilizando o horizonte. Só, meu coração, bate contra a pedra e o silêncio." Rui Knopfli.