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A mostrar mensagens com a etiqueta Joaquim Manuel Magalhães

O ar fendido pela borboleta

O ar fendido pela borboleta quimérica e nocturna e de cor azul. O pólen do voo no rumor das achas da lareira amortecida. Os teus olhos vêm para os meus com a água da paz de termos visto o mesmo arco de vida atravessar o lugar onde estávamos sózinhos onde vogava no céu tarde o silêncio do conspirador. No chão de brisa de poeira o tumulto do mundo é um luar sombrio e essa dor serena leva de nós todas as dores. Joaquim Manuel Magalhães

Se estás a chegar

Se estás a chegar, a ir-te embora estende tuas mãos, com as flores fica o perfume na minha camisola. As raízes vindo sob a areia ocultas do sol buscando a água abrem-se distantes da semente em lugares de luz, aí bate o vento. Outra árvore faz agora a sombra onde nos sentámos rosto a rosto as mãos presas na sede da camisa. O velto cacto voltou a rebentar no tronco seco já sem espinhos um pequeno punho humedecido em breve abrirá noutra flor. Joaquim Manuel Magalhães