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A mostrar mensagens com a etiqueta António Lobo Antunes

Não disse nada, amor

Não disse nada, amor, não disse nada: foi o rio que falou ...com a minha voz a dizer que era noite e é madrugada a dizer que eras tu e somos nós. A dizer os mil rostos e Lisboa ao longo do teu rosto se te beijo. À luz de um pombo chamo Madragoa e Bairro Alto ao mar se te desejo. Não disse nada, amor. Juro, calei-me: foi uma voz que ao longe se perdeu. Cuidei que era Lisboa e enganei-me pensei que éramos dois e sou só eu. António Lobo Antunes encontrei no blog Há vida em Marta

Crónica da Rapariga à Chuva

"Há bocadinho fui espreitar à janela e estava uma rapariga lá em baixo, à chuva. Isto às onze da manhã, a rua deserta e ela imóvel diante da agência de viagens, sem gabardina sequer, à chuva. Cabelos curtos, sapatos de ténis, os braços ao comprido do corpo, sozinha como uma estátua. Não volto à janela porque não quero encontrá-la, parece acusar-me de uma falta que desconheço, afigura-se-me um remorso vivo. À chuva. Não acaba, este inverno, esta solidão magoada, desconfortável. (...)" António Lobo Antunes http://aeiou.visao.pt/cronica-da-rapariga-a-chuva=f568316

Rua do Quelhas

Homenagem a Florbela Espanca Morre-se devagar neste país onde é depressa a mágoa e a saudade oh meu amor de longe quem me diz Como é a tua sombra na cidade Morre-se devagar em frente ao Tejo repetindo o teu nome lentamente cintura com cintura, beijo a beijo e gritá-lo, abraçado, a toda a gente Morre-se devagar e de morrer fica a cinza de um corpo no olhar oh meu amor a noite se vier é seara de nós ao pé do mar António Lobo Antunes