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A mostrar mensagens com a etiqueta Manuel Cintra

És como a janela da manhã

És como a janela da manhã Como os vidros embaciados Como o calor dos lençóis Como o pão mal torrado Para não me ir em jejum Como o olhar cansado que me deitas Assim estendida do teu cansaço sobre o meu E vou-me certamente Que te deixo em frente a janela aberta E te fico espetado na carne Manuel Cintra

Levas-me inteiro

Levas-me inteiro Mais longe nos tecidos Algures a germinar Um ovo Em estado de promessa. Choro, talvez Chore ainda mais ainda mais talvez Lavas-me, escorro De ti para as ruas ainda mais de ti Seria simples imaginar Uma das tuas mãos Com os ossos da minha. A outra, a carne. Mas eu não gosto de coisas simples. Manuel Cintra

Dobrou-se sobre ela puxou-lhe fogo

Dobrou-se sobre ela puxou-lhe fogo Escancarou-lhe os olhos puxou-lhe fogo Cerziu-se-lhe no peito puxou-lhe fogo Tirou-lhe pó de cima puxou-lhe fogo Sentiu-se tão pesado puxou-lhe fogo Cobriu-a de ar; destapou-lhe a carne; mordeu. Era fim de tarde era depressa era comprido Verteu palavras tenras até já não ter voz Chorou, soletrou-lhe o corpo membro a membro E foi no soalho a solidão de a desventrar Tremeu tremeu puxou-lhe fogo E ela ardeu Manuel Cintra