O hálito azul da tarde faz hoje 2 anos e... vai continuando...seguindo o rastro... Os primeiros encontros Cada momento passado juntos Era uma celebração, uma Epifania Nós os dois sozinhos no mundo, Tu, tão audaz, mais leve que uma asa, Descias numa vertigem a escada A dois e dois, arrastando-me Através de húmidos lilases, aos teus domínios Do outro lado, passando o espelho. Pela noite concedias-me o favor, Abriam-se as portas do altar E a nossa nudez iluminava o escuro À medida que genuflectia. E ao acordar Eu diria “Abençoada sejas!” Sabendo como pretensiosa era a bênção: Dormias, os lilases tombavam da mesa Para tocar-te as pálpebras num universo de azul, E tu recebias esse sinal sobre as pálpebras Imóveis, e imóvel estava a tua mão quente. Rios palpitantes por dentro do cristal, A montanha assomando na bruma, mar enfurecido, E tu com a bola de cristal nas mãos, Sentada num trono enquanto dormes, - Deus do céu! – tu pertences-me. Acordas para transfigurar As palavras de todos os dias...
"(...) Caminho pelos lugares queridos, sem tristeza, nem mágoa, altas, condoídas árvores, lagos serenos escorrendo de meus olhos, hálito azul da tarde que, por cair, de sombras vai tranquilizando o horizonte. Só, meu coração, bate contra a pedra e o silêncio." Rui Knopfli.