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Mensagens

Primavera

Sábado à noite não sou tão só Somente só A sós contigo assim E sei dos teus erros Os meus e os teus Os teus e os meus amores que não conheci Parasse a vida Um passo atrás Quis-me capaz Dos erros renascer em ti E se inventado, o teu sorriso for Fui inventor Criei o paraíso assim Algo me diz que há mais amor aqui Lá fora só menti Eu já fui de cool por aí Somente só, só minto só Hei-de te amar, ou então hei-de chorar por ti Mesmo assim, quero ver-te sorrir... E se perder vou tentar esquecer-me de vez, conto até três Se quiser ser feliz... Se há tulipas No teu jardim Serei o chão e a água que da chuva cai Para te fazer crescer em flor, tão viva a cor Meu amor eu sou tudo aqui... Sábado à noite não sou tão só Somente só A sós contigo assim Não sou tão só, somente só The Gift

Não disse nada, amor

Não disse nada, amor, não disse nada: foi o rio que falou ...com a minha voz a dizer que era noite e é madrugada a dizer que eras tu e somos nós. A dizer os mil rostos e Lisboa ao longo do teu rosto se te beijo. À luz de um pombo chamo Madragoa e Bairro Alto ao mar se te desejo. Não disse nada, amor. Juro, calei-me: foi uma voz que ao longe se perdeu. Cuidei que era Lisboa e enganei-me pensei que éramos dois e sou só eu. António Lobo Antunes encontrei no blog Há vida em Marta

no cure for love..

[Daria Endresen]

Esta noite o vento ceifa os bosques

Esta noite o vento ceifa os bosques e uma raiva sacode a terra. se a voz do mar chamasse pelas velas, os estreitos aguardariam um naufrágio. E se dissesses o meu nome eu morreria de amor. Devo, por isso, afastar-me de ti ― não por ter medo de morrer (que é de já não o ter que tenho medo), mas porque a chuva que devora as esquinas é a única canção que se ouve esta noite sobre o teu silêncio. Maria do Rosário Pedreira
[Daria Endresen]

Brushing

Estranhava-lhe a forma de vestir e os olhos pintados de preto. Do espelho do cabeleireiro, que ficava no rés do chão do prédio da avó, espreitava-lhe o gestos lentos e os olhos indiferentes às conversas com cheiro a shampoo e amoníaco. Lavava cabeças. Menos quente, pedia-lhe, evitando tratá-la pelo nome próprio, Sílvia. Olha que ela gosta de mulheres, dizia-lhe a avó. Por isso, nunca a chamava pelo nome, que os nomes trazem excesso de intimidade. Põe creme? Só nas pontas, respondia enquanto pensava no incómodo que era ter a cabeça nas mãos de uma mulher que guardava uma fotografia de outra na bata preta. Pelo espelho observava-a, encostada ao carrinho dos rolos e das escovas, sorrindo para uma fotografia tipo passe, tirada numa estação de metro qualquer. Depois tirava da mala um queque de chocolate embrulhado num guardanapo de papel e ficava ali, com os olhos pintados de preto perdidos no chão cheio de cabelos. Ela, sentada na cadeira em frente ao espelho, com os cabelos a pingar na ...
[Daria Endresen]

Um corpo encontra a sua profundidade fora dele

um corpo encontra a sua profundidade fora dele como a palavra isolada ilude a linguagem. mas é na palavra transitiva que nos amamos no que passa e contradiz no lugar onde o erro ainda subverte a sua prova mais ténue. respiro as nossas impossibilidades como se o corpo fosse a libertação de todas as coisas. Sylvia Beirute no blog Uma Casa em Beirute

Tudo o que eu te dou

Eu não sei que mais posso ser, um dia rei, outro dia sem comer. Por vezes forte, coragem de leão, às vezes fraco, assim é o coração. Eu não sei, que mais te posso dar, um dia jóias, noutro dia o luar. Gritos de dor, gritos de prazer, que um homem também chora quando assim tem de ser. Foram tantas as noites, sem dormir. Tantos quartos de hotel, amar e partir. Promessas perdidas escritas no ar, e logo ali eu sei... Tudo o que eu te dou, tu me dás a mim. Tudo o que eu sonhei, tu serás assim. Tudo o que eu te dou, tu me dás a mim, tudo o que eu te dou. Sentado na poltrona beijas-me a pele morena fazes aqueles truques que aprendeste no cinema. mais, peço-te eu, já me sinto a viajar. Pára, recomeça, faz-me acreditar. Não, dizes tu E o teu olhar mentiu. Enrolados pelo chão no abraço que se viu. É madrugada ou é alucinação, estrelas de mil cores extasy ou paixão. Hmm, esse odor traz tanta saudade. Mata-me de amor ou dá-me liberdade. De...

Maria Bethânia | Cântico Negro

Maria Bethânia Cântico Negro de José Régio

Cântico Negro

Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces Estendendo-me os braços, e seguros De que seria bom que eu os ouvisse Quando me dizem: "vem por aqui!" ...Eu olho-os com olhos lassos, (Há, nos olhos meus, ironias e cansaços) E cruzo os braços, E nunca vou por ali... A minha glória é esta: Criar desumanidade! Não acompanhar ninguém. - Que eu vivo com o mesmo sem-vontade Com que rasguei o ventre à minha mãe Não, não vou por aí! Só vou por onde Me levam meus próprios passos... Se ao que busco saber nenhum de vós responde Por que me repetis: "vem por aqui!"? Prefiro escorregar nos becos lamacentos, Redemoinhar aos ventos, Como farrapos, arrastar os pés sangrentos, A ir por aí... Se vim ao mundo, foi Só para desflorar florestas virgens, E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada! O mais que faço não vale nada. Como, pois sereis vós Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem Para eu derrubar os meus obstáculos?... Corre, nas ...

Apple Blosson | Esperanza Spalding

Esperanza Spalding Live from Columbus Circle store in New York City on September 15, 2010

Migration

Robert and Shana ParkeHarrison

um rio longo e pesado como o véu de uma noiva

da minha cabeça escorre um rio longo e pesado como o véu de uma noiva, e tu, meu amor, nos meus olhos cerrados e no meu caminho estendes-me o braço, e depois a tua mão que se abre sem revelações e sem sombras, não me diz se te libertas ou se desistes de me salvar. há flores brancas no céu, cordas presas no horizonte que arrastam a luz como o véu de uma noiva, no tecido translúcido e solitário a minha alma esconde-se, e pelas portas abertas, pelas casas vazias, um hálito de sépia espalha-se na hora da minha pequena e insustentável morte. da minha cabeça escorre um rio longo e pesado como o véu de uma noiva e tu, meu doloroso e antecipado amor, és agora o meu fim. alma

Desejo Infinitesimal

{que horas eram quando o tempo acabou?}           {que horas eram quando deixaste de poder reproduzir clandestinamente a explicação           da conclusão do desejo infinitesimal?} {que horas eram quando a razão de espírito      substituiu a de ciência na ocupação do abraço?} {que horas eram quando te adiantaste à felicidade                          no dia que dilui           na percepção multiforme da multidão?} {que horas eram quando a boca simulou            o silêncio com princípios aleatórios?} {que horas eram quando deixaste que a alma            somasse corpos e subtraísse outros?} {que ho...

Made for You

The Gift