Avançar para o conteúdo principal

um rio longo e pesado como o véu de uma noiva

da minha cabeça escorre um rio
longo e pesado como o véu de uma noiva,
e tu, meu amor, nos meus olhos cerrados e no meu caminho
estendes-me o braço, e depois a tua mão que se abre
sem revelações e sem sombras,
não me diz se te libertas ou se desistes de me salvar.

há flores brancas no céu,
cordas presas no horizonte que arrastam a luz como o véu de uma noiva,
no tecido translúcido e solitário a minha alma esconde-se,
e pelas portas abertas, pelas casas vazias,
um hálito de sépia espalha-se
na hora da minha pequena e insustentável morte.

da minha cabeça escorre um rio
longo e pesado como o véu de uma noiva
e tu, meu doloroso e antecipado amor, és agora o meu fim.


alma


Comentários

Mensagens populares deste blogue

A essência dos dias.2

O livro aberto pousado nas suas mãos. Na macieza dos lábios as palavras mastigadas em silêncio e na dobra das pálpebras pequenos fragmentos de texto que não couberam naquelas páginas. A serena curva temporal do rosto acumula todos os pequenos assombros emocionais que cada parágrafo percorrido lhe desperta. O belíssimo rosto do ser amado a ler ilumina-se entretanto por um raio de sol que abre caminho por entre nuvens, braços, ombros e sacos. Olho a sua face iluminada. Iluminada pelo singelo e extraordinário raio de sol que ali escolheu terminar a sua viagem cósmica. Ali, no seu rosto, entre tantos outros na carruagem do comboio numa manhã de fevereiro. Ninguém atenta na singularidade deste instante. A luz que há minutos partiu de uma estrela viaja agora connosco no comboio. Ilumina-te. E na dobra do tempo, como antes na dobra das tuas pálpebras, somos atingidos pela poeira desta centelha. Somos perfeitos. Estamos numa única dimensão. Estamos em todo o lado. [ alma ]

XTERIORS XVII

  Desirée Dolron

Ler contra o silêncio | 16

Studying Iman Maleki