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Mensagens

um rio longo e pesado como o véu de uma noiva

da minha cabeça escorre um rio longo e pesado como o véu de uma noiva, e tu, meu amor, nos meus olhos cerrados e no meu caminho estendes-me o braço, e depois a tua mão que se abre sem revelações e sem sombras, não me diz se te libertas ou se desistes de me salvar. há flores brancas no céu, cordas presas no horizonte que arrastam a luz como o véu de uma noiva, no tecido translúcido e solitário a minha alma esconde-se, e pelas portas abertas, pelas casas vazias, um hálito de sépia espalha-se na hora da minha pequena e insustentável morte. da minha cabeça escorre um rio longo e pesado como o véu de uma noiva e tu, meu doloroso e antecipado amor, és agora o meu fim. alma

Desejo Infinitesimal

{que horas eram quando o tempo acabou?}           {que horas eram quando deixaste de poder reproduzir clandestinamente a explicação           da conclusão do desejo infinitesimal?} {que horas eram quando a razão de espírito      substituiu a de ciência na ocupação do abraço?} {que horas eram quando te adiantaste à felicidade                          no dia que dilui           na percepção multiforme da multidão?} {que horas eram quando a boca simulou            o silêncio com princípios aleatórios?} {que horas eram quando deixaste que a alma            somasse corpos e subtraísse outros?} {que ho...

Made for You

The Gift

Dorme, meu amor

Dorme, meu amor, que o mundo já viu morrer mais este dia e eu estou aqui, de guarda aos pesadelos. Fecha os olhos agora e sossega ― o pior já passou há muito tempo; e o vento amaciou; e a minha mão desvia os passos do medo. Dorme, meu amor ― a morte está deitada sob o lençol da terra onde nasceste e pode levantar-se como um pássaro assim que adormeceres. mas nada temas; as suas asas de sombra não hão-de derrubar-me ― eu já morri muitas vezes e é ainda da vida que tenho mais medo. Fecha os olhos agora e sossega ― a porta está trancada; e os fantasmas da casa que o jardim devorou andam perdidos nas brumas que lancei no caminho. Por isso, dorme, meu amor, larga a tristeza à porta do meu corpo e nada temas: eu já ouvi o silêncio, já vi a escuridão, já olhei a morte debruçada nos espelhos e estou aqui, de guarda aos pesadelos ― a noite é um poema que conheço de cor e vou contar-to até adormeceres. Maria do Rosário Pedreira

Happy Days Are Here Again / Get Happy

Judy Garland e Barbara Streisand

Metade

Que a força do medo que tenho Não me impeça de ver o que anseio Que a morte de tudo em que acredito Não me tape os ouvidos e a boca Porque metade de mim é o que eu grito Mas a outra metade é silêncio. Que a música que ouço ao longe Seja linda ainda que tristeza Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada Mesmo que distante Porque metade de mim é partida Mas a outra metade é saudade. Que as palavras que eu falo Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor Apenas respeitadas Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos Porque metade de mim é o que ouço Mas a outra metade é o que calo. Que essa minha vontade de ir embora Se transforme na calma e na paz que eu mereço Que essa tensão que me corrói por dentro Seja um dia recompensada Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão. Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável. Que o espelho reflita em meu rosto um...

Steamed

Alyssa Monks

por ora, apenas os ramos batem nos vidros da janela

por ora apenas os ramos batem nos vidros da janela. é tarde nesta véspera de natal, a noite adensa-se, o mundo recolhe-se como pode e os sons ensurdecem na terra fria, mas a promessa da tua vinda é certa, a minha memória é verdadeira e isso apenas me basta. tudo me diz que é tarde nesta véspera de Natal, e por ora apenas os ramos batem nos vidros da janela. neste tempo liminar, esgota-se o rasto do dia que acabou, a luz escorre pelas pedras velhas do caminho e não te oiço ainda nesse rio por onde vens, mas o meu coração contrai-se, eu espero-te, tanto, e isso basta-me! é noite de natal, os ramos cantam nos vidros da janela és tu? só amor, só amar, isso basta-me alma

Trust

Alyssa Monks

Scream

Alyssa Monks

Poema simples sobre o silêncio

{do silêncio}. do sinal de fogo. citar-te, escrever-te, transcrever-te, conjugar-te, oralizar-te na orla do teu tronco demasiado extenso para a curva do vento órfão de vontades. {do silêncio}. grotesco. do sinal de fogo. literatura. comer-te. beber-te com rigor moral, como consta do guião de contra-indicações. infra. {do silêncio}. ler-te. do sinal de fogo. contar-te uma história verídica num outro contexto. incomensurável. definitivamente provisório. belo. {do silêncio}. quadriculado, vândalo. do sinal de fogo. do ruído preceptivo. do processo de esverdeamento do corpo com saudade. da cápsula de tempo. {do silêncio}. um acto. do homem que se debruça sobre cada órbita. um gesto. do mundo digestivo. instintivo. somos um acto mas não um gesto. mera raiz da voz oca. e numa linha recta aberta refundimos como quem se ouve a si mesmo. do silêncio. do sinal de fogo. Sylvia Beirute Uma Casa em Beirute

Still Life

Alissa Monks

tão pouca luz no quarto

entra tão pouca luz no quarto, o ocre antigo das paredes desliza pelo chão e despe-se nas minhas pernas, não sei se o sol nasce ou morre, no meu corpo indecifrável o mundo parte devagar e os sons para trás acomodam-se no meu ouvido como finos vapores húmidos, sem dia, sem noite, apenas as horas ficam, e o meu peito adormece. alma

Estou a ir...de férias!

Fiquem bem e...até Setembro! At last Beyonce [Etta James]