Avançar para o conteúdo principal

O ar fendido pela borboleta

O ar fendido pela borboleta
quimérica e nocturna e de cor azul.

O pólen do voo no rumor
das achas da lareira amortecida.
Os teus olhos vêm para os meus
com a água da paz de termos visto
o mesmo arco de vida atravessar
o lugar onde estávamos sózinhos

onde vogava no céu tarde
o silêncio do conspirador.

No chão de brisa de poeira
o tumulto do mundo é um luar
sombrio e essa dor serena
leva de nós todas as dores.


Joaquim Manuel Magalhães

Comentários

Mensagens populares deste blogue

A essência dos dias.2

O livro aberto pousado nas suas mãos. Na macieza dos lábios as palavras mastigadas em silêncio e na dobra das pálpebras pequenos fragmentos de texto que não couberam naquelas páginas. A serena curva temporal do rosto acumula todos os pequenos assombros emocionais que cada parágrafo percorrido lhe desperta. O belíssimo rosto do ser amado a ler ilumina-se entretanto por um raio de sol que abre caminho por entre nuvens, braços, ombros e sacos. Olho a sua face iluminada. Iluminada pelo singelo e extraordinário raio de sol que ali escolheu terminar a sua viagem cósmica. Ali, no seu rosto, entre tantos outros na carruagem do comboio numa manhã de fevereiro. Ninguém atenta na singularidade deste instante. A luz que há minutos partiu de uma estrela viaja agora connosco no comboio. Ilumina-te. E na dobra do tempo, como antes na dobra das tuas pálpebras, somos atingidos pela poeira desta centelha. Somos perfeitos. Estamos numa única dimensão. Estamos em todo o lado. [ alma ]

Ler contra o silêncio | 16

Studying Iman Maleki

XTERIORS XVII

  Desirée Dolron