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Vigília de Natal

Desenham-se paisagens sob as pálpebras
antes de vir o sono se a vigília
ao desejar vestir-se de outra carne
em rugosos degraus tropeça ainda

Resigna-se a vigília a não ter carne
Rende-se o próprio sono ante a vigília
E são sempre de neve essas paisagens
E é sempre o mesmo Vulto que as habita.



David Mourão-Ferreira

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