Avançar para o conteúdo principal

Shining

Quando dormes para o lado dos meus sonhos, das minhas angústias graníticas, e tocas como os sinos por dentro do meu corpo, trazendo-me à pele o suor do amor, quando espias os meus dedos debaixo dos lençóis, deixando as promessas prolongarem-se pelas carnes como o vento se prolonga pelas sementeiras, relembrados na fragrância de uma criança adormecida, a nosso lado, amarrando-nos o sono à resolução dos caminhos há muito traçados, os dedos. Quando dizes os teus olhos brilham no meu canto, ouço sem esmero nem glória a música do teu corpo.



Henrique Fialho
do blog Insónia

Comentários

Mensagens populares deste blogue

A essência dos dias.2

O livro aberto pousado nas suas mãos. Na macieza dos lábios as palavras mastigadas em silêncio e na dobra das pálpebras pequenos fragmentos de texto que não couberam naquelas páginas. A serena curva temporal do rosto acumula todos os pequenos assombros emocionais que cada parágrafo percorrido lhe desperta. O belíssimo rosto do ser amado a ler ilumina-se entretanto por um raio de sol que abre caminho por entre nuvens, braços, ombros e sacos. Olho a sua face iluminada. Iluminada pelo singelo e extraordinário raio de sol que ali escolheu terminar a sua viagem cósmica. Ali, no seu rosto, entre tantos outros na carruagem do comboio numa manhã de fevereiro. Ninguém atenta na singularidade deste instante. A luz que há minutos partiu de uma estrela viaja agora connosco no comboio. Ilumina-te. E na dobra do tempo, como antes na dobra das tuas pálpebras, somos atingidos pela poeira desta centelha. Somos perfeitos. Estamos numa única dimensão. Estamos em todo o lado. [ alma ]

XTERIORS XVII

  Desirée Dolron

Ler contra o silêncio | 16

Studying Iman Maleki