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eira do catavento | 1. março

está um bela manhã, clara e fria,
há restos de geada na relva e notas
de amarelo-vivo nos limoeiros.
umas rosas, junto ao muro, resistiram ao inverno
e o sol brilha levemente enevoado.

o cachorro derrubou um vaso de buxo.
fica uma mancha de terra muito preta
nos degraus. salvar o buxo, reenvasá-lo,
tarefas da manhã com ralhos ao cachorro
que não percebe e continua a saltitar

na relva húmida à minha volta.
apito, digo-lhe, isto não se faz.
aponto-lhe o indicador e ele dá à cauda,
alegre e despreocupado. sabe
que há-de saltar atrás das borboletas.


Vasco Graça Moura

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