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eira do catavento | 4. janeiro

os radiadores são pouco bucólicos, mas
aquecem a casa toda, impedem que tiritemos
e que a humidade venha aos livros.
na lareira da sala o fogo lambe o ar alegremente,
entre estalidos de lenha a crepitar


quando ela pega e não faz fumo,
e o temporal desabrido, lá fora, dá-nos a medida
de uma tépida mediania cá dentro, enquanto passam
as horas sem sobressalto e é já noite fechada
e sabe bem um chá bem quente, um agasalho,


uma poltrona, um livro, uma vontade vagabunda
de escrever. é inverno, húmido e frio, cor de cinza empastada
e rasa de água. meu amor, deixa-te estar aqui, ainda há
tempo, tempo antes do jantar e das notícias. tempo agora e depois.
aqui. deixa-te estar aqui, fica ainda aqui.


Vasco Graça Moura

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