Avançar para o conteúdo principal

Eis-me, marinheiro sábio, no exílio da terra

Eis-me, marinheiro sábio, no exílio da terra,
corpo alongado sobre uma colcha de seda
como se estivesse esquecido e perdido do tempo
sobre a erva humedecida pelo orvalho,
na claridade baça do amanhecer de Kobe.
Aqui deixei de saber o que é a pressa,
o que é o tempo perseguido na voragem dos dias,
o que é o sonho evaporado no temor das viagens.
Ancorei neste espanto inominável, neste areal
de assombros em que se perde a lembrança e a face
e em que nos tornamos outros na memória de nós.

Wenceslau de Moraes

Comentários

Mensagens populares deste blogue

A essência dos dias.2

O livro aberto pousado nas suas mãos. Na macieza dos lábios as palavras mastigadas em silêncio e na dobra das pálpebras pequenos fragmentos de texto que não couberam naquelas páginas. A serena curva temporal do rosto acumula todos os pequenos assombros emocionais que cada parágrafo percorrido lhe desperta. O belíssimo rosto do ser amado a ler ilumina-se entretanto por um raio de sol que abre caminho por entre nuvens, braços, ombros e sacos. Olho a sua face iluminada. Iluminada pelo singelo e extraordinário raio de sol que ali escolheu terminar a sua viagem cósmica. Ali, no seu rosto, entre tantos outros na carruagem do comboio numa manhã de fevereiro. Ninguém atenta na singularidade deste instante. A luz que há minutos partiu de uma estrela viaja agora connosco no comboio. Ilumina-te. E na dobra do tempo, como antes na dobra das tuas pálpebras, somos atingidos pela poeira desta centelha. Somos perfeitos. Estamos numa única dimensão. Estamos em todo o lado. [ alma ]

Ler contra o silêncio | 16

Studying Iman Maleki

XTERIORS XVII

  Desirée Dolron