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Mensagens

Winter Arm

Robert and Shana ParkeHarrison

Gentofte lake

Vilhelm Hammershøi

Raios de sol...

Vilhelm Hammershøi

Singing depart from me

Ai Xuan

Curtain

Hendrik Kerstens

Amanhã

Amanhã meu amor, amanhã faço poemas com os teus dedos donde nascem flores, amanhã escrevo-te cartas com os lábios a tremer de frio, amanhã adormeço desperta no canto mais canto que houver da tua voz, amanhã meu amor, verei todas as folhas amarelas que nascem do chão e regressam aos ramos dos teus braços, amanhã vou dançar no silêncio proibido que te cala, amanhã fecho os olhos e finjo que estou acordada para que me toques as pálpebras com a respiração ofegante de quem cega, amanhã meu amor, abro as janelas do peito onde nascem estrelas sem céu, abro a cama e procuro-te debaixo dela, dou-te a mão para que me encontres no mapa da pele dorida, para que me encontres talvez no mesmo sítio de sempre onde nunca foste, amanhã meu amor, dedico-te o vento que roça as estátuas já esverdeadas da tua cidade, faço-te promessas de palavras que não existem, desafio-te para um duelo de um só combatente, deixo-te sozinho comigo encostada aos teus ombros de lava, amanhã meu amor, vou cantar canções na rá...

From the series Pink Coat And Slippers

Tiina Heiska

Ausência

Num deserto sem água Numa noite sem lua Num país sem nome Ou numa terra nua Por maior que seja o desespero Nenhuma ausência é mais funda do que a tua. Sophia de Mello Breyner Andresen

From the series "The Eclipse"

Tiina Heiska

Inverno: o meu segredo

Revelar meu segredo? Não, por certo; Talvez quem sabe, um dia em breve. Mas hoje não; tombou geada e neve. Se a curiosidade te hei desperto E sem pudor o queres ouvir, pois bem: O segredo é meu, não conto a ninguém. Talvez nem haja nada que contar: Imagina afinal que não há segredo, Era só a brincar. Hoje está frio, é um dia azedo Em que faz falta uma roupa abafada, Um xaile e mantas que nos aqueçam; Não posso abrir a todos quantos peçam, Deixar o vento entrar-me de rajada, Rodear-me, cercar-me, Aturdir-me, assustar-me, Enregelar-me sob este disfarce Que me aconchega; Pois quem quer desnudar-se Ao vento frio que o há-de fustigar? Não me fustigarias? Obrigada, Mas deixa essa verdade inda velada. É bela a Primavera; todavia Não confio em Março com seus tremores, Nem em Abril co´a breve chuva fria, Muito menos em Maio cujas flores Murcham co´a geada da noite sombria. Talvez num dia lânguido de Estio, Quando o sol faz as árvores dormitar E se cobre de ouro a loura espiga, Com fresca brisa ...

Espáduas brancas palpitantes...

Succulent Calla Lily Magnolia Blossom Jeffrey Conley

Auto retrato

Espáduas brancas palpitantes: asas no exílio dum corpo. Os braços calhas cintilantes para o comboio da alma. E os olhos emigrantes no navio da pálpebra encalhado em renúncia ou cobardia. Por vezes fêmea. Por vezes monja. Conforme a noite. Conforme o dia. Molusco. Esponja embebida num filtro de magia. Aranha de ouro presa na teia dos seus ardis. E aos pés um coração de louça quebrado em jogos infantis. Natália Correia

Rose and Driftwood

Ansel Adams

Mount Williamson

Ansel Adams

Tenho-te comigo como uma erva selvagem

Tenho comigo o frio gelado e silencioso da noite. Há uma ténue linha de terra, quase praia, junto ao mar que filtra um pouco do cinzento denso do nevoeiro, e a tua sombra no alpendre, à minha porta, fica agora mais clara e visível, mais perto da dor intensa, do amor refeito e da despedida. Esta partida que é tua, tão ausente, tão perto da espera que aguarda o passar dos meses, o fim do Inverno. Mas tenho-te comigo como uma erva selvagem e forte, como algo que resiste. alma

Chesil beach

Birt Wisle

Fragmento de...

Na praia de Chesil de Ian McEwan "(...) Tudo o que desejava, a única coisa em que conseguia pensar era em si mesmo e em Florence deitados nús na cama do quarto contíguo, finalmente confrontados com essa experiência atemorizadora que parecia tão distante da vida quotidiana como uma visão de êxtase religioso, ou até a própria morte.(...)"