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Mensagens

Linda II

Sally Gall

Andrea

Sally Gall

Linda

Sally Gall

The water´s edge

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Sally Gall

Quando, no nome do mar

Quando digo o nome do mar não é do mar
que digo o nome, mas de tudo o que
antes e para lá do mar ficou
em sobressalto nos perigos da sua travessia.

Aprendi isso em lugares raros,
como o último silêncio, a última gota
de água ou de mel.



Francisco José Viegas

Between Worlds

before I could fly



re-entry



visitation



geometry lesson



Sally Gall

A secreta viagem

No barco sem ninguém, anónimo e vazio,
ficámos nós os dois, parados, de mão dada ...
Como podem só dois governar um navio?
Melhor é desistir e não fazermos nada!

Sem um gesto sequer, de súbito esculpidos,
tornamo-nos reais, e de madeira, à proa...
Que figuras de lenda! Olhos vagos, perdidos...
Por entre nossas mãos , o verde mar se escoa...

Aparentes senhores de um barco abandonado,
nós olhamos, sem ver, a longínqua miragem...
Aonde iremos ter?- Com frutos e pecado,
se justifica, enflora, a secreta viagem!

Agora sei que és tu quem me fora indicada.
O resto passa, passa...alheio aos meus sentidos.
- Desfeitos num rochedo ou salvos na enseada,
a eternidade é nossa ,em madeira esculpidos!



David Mourão-Ferreira

Kissing the tears away

Jan Saudek

Life

Jan Saudek

The family

Jan Saudek

Três Mulheres, poema a três vozes (VII)

PRIMEIRA VOZ:
A madrugada resplandece no ulmeiro grande junto à casa.
As andorinhas estão de volta. Soltam gritos como foguetes a estoirar.
Ouço o passar das horas
A crescer e a morrer nas cercas. Ouço o mugir das vacas.
As cores tingem-se de plenitude, e a palha húmida
Fumega ao sol.
Os narcisos abrem faces brancas no pomar.

Estou calma. Estou calma.
Estas são as cores claras e alegres do quarto das crianças,
Os patinhos que falam, os cordeirinhos risonhos.
Voltei a ser simples. Acredito em milagres.
Não acredito nessas terríveis crianças
Que me atormentam os sonhos com os seus olhos em branco, as suas mãos sem dedos.
Não são minhas. Não me pertencem.

Meditarei sobre a normalidade.
Meditarei sobre o meu filhinho.
Não anda. Não diz ainda uma palavra.
Está ainda enfaixado de branco.
Mas é rosado e perfeito. E sorri tão frequentemente.
Decorei o seu quarto com grandes rosas,
Pintei coraçãozinhos por toda a parte.

Não quero que ele seja excepcional.
É a excepção que interessa ao demónio.
É a excepção que causa …

À luz da lua | 22

Young mother sewing
Mary Cassat

em frente, a janela aberta

Jill Merriam

És como a janela da manhã

És como a janela da manhã
Como os vidros embaciados
Como o calor dos lençóis
Como o pão mal torrado
Para não me ir em jejum


Como o olhar cansado que me deitas
Assim estendida do teu cansaço sobre o meu
E vou-me certamente
Que te deixo em frente a janela aberta


E te fico espetado na carne



Manuel Cintra

escorro de ti para as ruas

Jill Merriam

Levas-me inteiro

Levas-me inteiro
Mais longe nos tecidos
Algures a germinar
Um ovo
Em estado de promessa.


Choro, talvez
Chore ainda mais ainda mais talvez


Lavas-me, escorro
De ti para as ruas ainda mais de ti


Seria simples imaginar
Uma das tuas mãos
Com os ossos da minha.
A outra, a carne.


Mas eu não gosto de coisas simples.



Manuel Cintra