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Mensagens

A cold spring day

Han Wu Shen

Purple cloud

Han Wu Shen

Profile of a young chinese woman

Han Wu Shen

fragmento

são asas de alvoroço ou são sinais?
são sombras agitadas na descida?
são palavras aladas junto ao cais?

são um rumor no vento? ou repetida
animação do instante nas mnhãs
quando ao passar da gente passa a vida

e alguêm espera olhando as horas vãs?


Vasco Graça Moura

A Noite

William-Adolphe Bouguereau

O Crepúsculo

William-Adolphe Bouguereau

O Dia

William-Adolphe Bouguereau

A Aurora

William-Adolphe Bouguereau

Tentações do Apocalipse

Não é de poesia que precisa o mundo.
Aliás, nunca precisou. Foi sempre
uma excrescência escandalosa que
se lhe dissesse como é infame a vida
que não vivamos para outrem nele.
E nunca, só de ser, disse a poesia
uma outra coisa, ainda quando finge
que de sobreviver se faz a vida.
O mundo precisa de morte. Não da morte
com que assassina diariamente quantos teimam
em dizer-lhe da grandeza de estar vivo.
Nem da morte que o mata pouco a pouco,
e de que todos se livram no enterro dos outros.
Mas sim da morte que o mate como um percevejo,
uma pulga, um piolho, uma barata, um rato.
Ou que a bomba venha para estas culpas,
se foi para isso que fizemos filhos.
Há que fazer voltar à massa primitiva
esta imundície. E que, na torpitude
de existir-se, ao menos possa haver
as alegrias ingénuas de todo o recomeço.
Que os sóis desabem. Que as estrelas morram.
Que tudo recomece desde quando a luz
não fora ainda separada às trevas
do espaço sem matéria. Nem havia um espírito
flanando ocioso sobre as águas quietas,
que pudesse ment…

Ler contra o silêncio | 2

Young women reading
Valerie Ganz

Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!


Florbela Espanca

Rua do Quelhas

Homenagem a Florbela Espanca


Morre-se devagar neste país
onde é depressa a mágoa e a saudade
oh meu amor de longe quem me diz
Como é a tua sombra na cidade

Morre-se devagar em frente ao Tejo
repetindo o teu nome lentamente
cintura com cintura, beijo a beijo
e gritá-lo, abraçado, a toda a gente

Morre-se devagar e de morrer
fica a cinza de um corpo no olhar
oh meu amor a noite se vier
é seara de nós ao pé do mar


António Lobo Antunes

Meme

Aceite o desafio lançado pelo blog O que é feito de si Mrs Pankhurst? , de Cristina Nobre Soares, aqui deixo o meu Meme*:


"Amar não acaba. É como se o mundo estivesse à minha espera. E eu vou ao encontro do que me espera."

Clarice Lispector, in A Descoberta do Mundo



...e passo o desafio ao Insustentável



* – Um “meme” é um gen ou gene cultural que envolve algum conhecimento que passas a outros contemporâneos ou a teus descendentes. Os “memes” podem ser ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma. Simplificando: é um comentário, uma frase, uma ideia que rapidamente se propaga pela web, usualmente por meio de blogues. O neologismo “memes” foi criado por Richard Dawkins dada a sua semelhança fonética com o termo “genes”.

Aqui nesta praia | 31

Aprés le bain
William-Adolphe Bouguereau

alba em memória de sophia

é quando a luz safira e cor de rosa
a humedecer as nuvens, matinal,
alastra pelas praias, vagarosa,
e nas dunas rendilha o seu metal,

é quando algas e mar, corais, espuma
e sombras transparentes vêm na brisa,
é quando em nós a lira desarruma
a angústia e o silêncio e a imprecisa

densidade do tempo e se combina
do ouvido à alma na medida certa
uma geometria cristalina,
é quando um crespo deus pagão desperta

a dar o alento próprio à maresia
e canta ao encontrar-se com sophia.


Vasco Graça Moura

Ler contra o silêncio | 1

Lesende Mädchen
Franz Eybl

Ler contra o silêncio

Inicio hoje uma área temática nova, Ler contra o silêncio.

...uma ideia antiga, impulsionada pela inspiração de um livro recentemente oferecido, Mulheres que lêem são perigosas.

La Vie

Marc Chagall

Ninguêm meu amor

Ninguém meu amor
ninguém como nós conhece o sol
Podem utilizá-lo nos espelhos
apagar com ele
os barcos de papel dos nossos lagos
podem obrigá-lo a parar
à entrada das casas mais baixas
podem ainda fazer
com que a noite gravite
hoje do mesmo lado
Mas ninguém meu amor
ninguém como nós conhece o sol
Até que o sol degole
o horizonte em que um a um
nos deitam
vendando-nos os olhos.


Sebastião Alba

Le songe

Marc Chagall