Alguma dor cortante, violina, um gume, acorda uma saudade do que nunca foi, inventa um tempo afável, o da distância aberta no olhar da tarde que se debruça sobre o meu deleite, sobre a surpresa de a achar suspensa no limiar daquilo que previa, e assim já a sabia, sem saber de ti.
Saudade de algum tempo já por certo inscrito na memória dos génios, pois de quem mais, da luz? Tal luz de maio velho que vem do mar para arder-te o rosto e a luz e a cor e dar-me a ver, perplexo, no instante de um relance, que era preciso ter chegado aqui para entender as devoções remotas, o brilho inscrito na exaustão dos dias que agora enfim, no espelho do teu porte, revelam os segredos para que me votavam, porque era de ti mesma que falavam e me induziam a aguardar-te intacto?
Há quanto tempo é que afinal me habitas, vigias a intenção de imagens que entreguei, esquivas leituras que retive em sons para enfeitar o céu de tanta gente? É pois desse fervor, que era já teu (e algum lugar em mim já sabia) e me atea…